Uma bela opção de leitura: RANA
A literatura chinesa, infelizmente, é pouca conhecida no Brasil e na maioria dos países ocidentais. RANA é de autoria de Mo Yan, merecidamente, o Nobel de Literatura de 2012. O autor além de excelente escritor é um exemplo de vida. Passou a maior parte de sua infância trabalhando nos campos agrícolas chineses, quando a maioria das crianças de sua idade conseguiu ir para a escola e se livrar dos duros trabalhos do campo. Não havia livros em sua casa. Pouca comida. Contudo, Mo Yan conseguiu, depois de muitas lutas, viver da literatura, um grande sonho seu.
RANA é uma obra que foi traduzida diretamente do chinês para o espanhol. Não há nada em português, atualmente, para que se conheça a literatura de Mo Yan. O autor chinês relata, entre outras coisas, nesta obra, o grande drama das famílias quando houve o planejamento familiar imposto pelo governo da famosa Revolução Cultural. Ou seja, as famílias poderiam ter somente um filho. As mulheres que transgredissem a lei eram obrigadas a abortar. A tia do narrador era uma ginecologista famosa e trabalhava a favor do planejamento de forma obsessiva. Não perdoava ninguém. Muito menos pessoas de sua própria família. Estruturalmente, neste romance, o autor mescla cartas, uma peça de teatro e dezenas de histórias populares tradicionais da civilização chinesa.
Vale a pena ler este livro que oferece uma perspectiva importante a respeito da cultura oriental e ao mesmo tempo questiona uma série de valores, como por exemplo: em que medida a felicidade pode existir? Quais são os parâmetros dos grandes sonhos? Em que medida sacrificamos nossa individualidade em prol do coletivo? Estas e outras questões instigantes encontram-se presentes em HANA.
Profa. Ana Maria Haddad Baptista
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